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Têm vindo à baila recentemente no noticiário algumas pretensões governamentais de legislar sobre como os pais devem educar os seus filhos, dispondo sobre os limites dos castigos, das palmadas e dos beliscões por parte dos progenitores. Nessa mesma direção, autoridades judiciárias do Rio Grande do Sul chegaram inclusive a afirmar que “os filhos não são propriedades dos pais. Eles são cidadãos e por isso pertencem ao Estado, dessa forma é perfeitamente cabível a interferência dele na educação da criança”. Diante dessas aberrações, é natural que todos nós educadores fiquemos alertas e apreensivos, pois de ideias desse tipo a nossa triste história está cheia. Já se comprovou que é por aí que Estados totalitários começaram a invadir direitos humanos, desrespeitando a dignidade humana. Felizmente, a maioria dos pais reagiu prontamente, como se devia esperar. Na pesquisa recente do Instituto DataFolha, de São Paulo, 54% dos 10.905 entrevistados afirmaram ser totalmente contra o projeto de lei e 10% não sabiam o que responder. 36% dos pais, entretanto, foram favoráveis. Diante desses fatos, talvez seja bom recordar alguns conceitos básicos de educação para esclarecer o pensamento tanto dos indecisos e favoráveis às intenções governamentais quanto do público em geral.

A primeira ideia básica, indicada na Declaração Universal de Direitos Humanos no seu artigo 26, é que os pais têm o direito de escolher a educação que preferirem para os seus filhos, em todos os seus aspectos. Os países que assinaram esse acordo em 1948 chegaram a definir que esse princípio seria considerado entre os mais básicos, e que sob pretexto algum um Estado poderia interferir nele ou negá-lo.

Esse direito dos pais de educar seus filhos fundamenta-se no direito que os filhos têm de receber uma educação adequada à sua dignidade humana e às suas necessidades básicas. Um atentado contra esse direito do filho, que em justiça deve ser reconhecido e amparado pela sociedade, é uma violência que jamais poderá ser permitida. Inclusive, no caso daqueles pais que se sintam incapazes de educar ou que acreditem que outras instituições possam fazê-lo melhor, o Estado terá de conscientizá-los de que não podem renunciar a serem educadores.

Sempre é bom recordar que a família é o lugar natural por excelência em que as relações de amor, de serviço e de doação mútua se descobrem, valorizam e aprendem. É nesse ambiente que o “ser animal”, que todos nós somos quando nascemos, tem facilidade para se tornar um verdadeiro ser humano, com todas as suas potencialidades bem desenvolvidas. Pais, irmãos, primos, tios, avós devem ser, portanto, a primeira grande escola da vida.

Se a educação é a atividade primordial de um pai e de uma mãe, qualquer outro agente educativo somente o será por delegação dos pais e sempre subordinado a eles. Quando colocam seus filhos numa escola, os pais não devem se sentir livres da tarefa árdua de educar ou, o que é pior, como se estivessem transferindo essa responsabilidade para outras pessoas, supostamente mais preparadas. É preciso recordar-lhes que a verdadeira competência para educar bem os próprios filhos nasce pelo simples fato de serem eles os pais. Portanto, como já dizia o Papa João Paulo II, em sua Carta às Famílias, “qualquer outro colaborador no processo educativo deve atuar em nome dos pais, com seu consentimento e, em certo modo, inclusive, por encargo seu”.

Parece ficar claro que, para evitar intromissões do Estado, como a apontada no início, é preciso mudar radicalmente a visão que muitos pais têm da escola. Ela deve ser vista, de acordo com um educador espanhol, David Isaacs, como “um projeto comum de melhora integral de pais, professores, funcionários e alunos”. Um local no qual os pais pedem a colaboração de professores e funcionários para ajudá-los a continuar nessa tarefa que já fazem em casa de auxiliar os filhos a serem melhores. A escola deverá ser sempre um prolongamento do lar. Um instrumento para a tarefa dos próprios pais, enquanto pais, de educar – e não só um lugar que proporcione uma série de conhecimentos. Por isso deverá haver sempre uma grande integração entre os pais e professores. Ambos devem estar motivados para alcançar uma série de objetivos educativos e formativos para os seus filhos/alunos.

Naturalmente, muitos leitores diante dessas ideias terão sentimentos de culpa e pensarão: “preciso me dedicar mais à escola do meu filho..., mas como conseguir ter tempo para isso se na empresa...”. É evidente que, na vida que corre, isso parece quase impossível. Porém ter tempo para as obrigações é sempre uma questão do que valorizamos e priorizamos.

De todas as formas, penso que ficou claro neste artigo que o pátrio poder é um direito intransferível que incumbe prioritamente à família como direito natural e humano. Jamais qualquer pai ou educador digno deste nome poderá ficar impassível diante de possíveis ameaças presentes ou futuras a este direito.


Artigo publicado por João Malheiro na Gazeta do Povo a 29/8/10.

 
 
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Reforçados com uma delegação gigantesca de jogadores selecionados a dedo, os cartolas do Centro Universitário da Tijuca chegaram ao Clube da Aeronáutica hoje pela manhã com sede de vitórias. Também, pudera: em toda a era dos jogos na Barra da Tijuca, a agremiação da Zona Norte nunca conseguiu um mísero triunfo sobre seus rivais mais capazes, o Centro Cultural e Universitário de Botafogo.

No entanto, o tão esperado encontro foi prejudicado por circunstâncias extracampo. Por uma falha de comunicação, o funcionário do Clube marcou a peleja para o insípido horário das 16 horas, o que só foi descoberto quando os atletas já se aqueciam para entrar em campo na
faixa tradicional das 10 horas. Em busca de uma solução, os futebolistas desesperados ainda foram expulsos de três campos em sequência (dois seriam usados para passagem de cavalos (!!) e o terceiro estava ocupado pela equipe de filmagem de um outro jogo). Finalmente, o instinto básico por futebol pôde ser saciado nas duas quadras de cinco contra cinco.

No entanto, graças à habilidade dos cartolas presentes ao evento, o campo acabou sendo liberado. Passava do meio-dia — horário irrevogável do fim das peladas desde tempos imemoriais. Consequentemente, vários jogadores se retiraram. Entretanto, alguns quiseram permanecer e desfrutar do gramado enfim conquistado. De forma malévola, foi arquitetado um Botafogo x Tijuca, com o primeiro time completamente desfigurado.

A dupla de zaga (André Luiz e Rafael Barretto) havia saído por causa do horário, assim como o meia-atacante Augusto Pessoa. Dos remanescentes, o goleiro João Carlos entrou sentindo uma lesão no pé, enquanto que o astro internacional do time Ricardo Pastran sofria com uma intoxicação alimentar. Mesmo lutando bravamente e conseguindo a suprema honra de um gol, a equipe da Zona Sul terminou derrotada por uma margem de gols com a qual os tijucanos sequer poderiam sonhar em condições honestas.

Fica claro, portanto, que este jogo não passou de um titulares versus reservas, sem nenhuma importância, sendo desconsiderado nas estatísticas do clássico. A invencibilidade de Botafogo foi abalada, mas permanece firme, contra as maquinações e truques dos adversários.

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by Rafael Barretto.

 
 
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A educação deve buscar também cada vez mais novas alternativas de organização escolar, pois isso é próprio do direito dos pais de escolher o que acreditam ser o melhor para os seus filhos

Certo dia, um professor universitário, ao não conseguir demonstrar aos seus alunos de forma convincente os males e os perigos dos princípios igualitários do comunismo, defendidos por seus pupilos, propôs-lhes a seguinte experiência, enquanto entregava os resultados das primeiras provas: “Então, a partir de agora, todos receberão a mesma nota, conforme a média das notas. Hoje todos estão com 7”. Os bons alunos, meio perplexos, concordaram com o critério, e os mais fracos ficaram felizes. Na segunda prova, tendo em vista que um grande esforço não valia mais à pena, os bons alunos naturalmente relaxaram e os maus alunos mantiveram os mesmos tristes hábitos preguiçosos. Na entrega das provas, o professor anunciou: “Hoje, nesta segunda prova, todos ficaram com 5”. Os mais inteligentes, que nunca tinham tirado uma nota baixa, obviamente ficaram descontentes. Já os piores alunos, estes continuaram felizes.

Não precisamos continuar a história para deduzir quais foram as notas das seguintes provas e qual o resultado final do período. Mas acredito que tanto os bons alunos da história quanto os leitores deste artigo conseguiram enxergar qual é o perigo de confundir igualdade com igualitarismo.

O princípio da igualdade parte da tese de que todos somos iguais em uma série de âmbitos, como em dignidade, direitos, oportunidades, independentemente do sexo, raça, religião etc. Mas diz também que somos muito diferentes em gostos, ideias, opiniões, projetos de vida, virtudes, capacidades, talentos e comportamentos. O que gostaria de salientar é que, tendo em vista essa diversidade, parece óbvio que todas as pessoas necessitam ser ajudadas, através da educação, a desenvolverem essas potencialidades e, principalmente, a perceberem que, em grande parte, dependerá da sua liberdade alcançar ou não o seu melhor.

Já o igualitarismo defende que, apesar de todas essas diferenças, todos têm de ser iguais, independentemente do mérito e da exigência. Não acredita que as pessoas reajam de forma diferente aos estímulos externos e internos. Acredita que um “Estado de bem-estar” deve ser o responsável por essa igualdade e que é possível criá-la pela arrecadação e correta distribuição de impostos, de forma justa e incorrupta. Saúde, alimentação, educação e moradia devem ser fornecidas por essa “mãe-governo” e nosso grau de responsabilidade para alcançar esses bens será reduzido ao mínimo. O melhor não recebe mais, nem o pior menos: a exigência perde o seu sentido.

Com a perspectiva dos anos que o século passado ilumina, parece hoje em dia difícil acreditar que alguém possa cair nessa falácia ideológica do igualitarismo. Entretanto, se analisamos as tendências de alguns governos atuais, parece que ainda não aprenderam a lição, principalmente ao examinarmos algumas políticas assistencialistas como bolsas família, escola, remédio, leite... Consequentemente, tantos diretores de escola hoje desabafam na primeira oportunidade em que são questionados sobre a existência/ausência da devida autonomia da escola. Tantos professores deixam transparecer desinteresse e desmotivação ao se sentirem marionetes de um sistema educacional que os deixa sem liberdade e sem voz.

Antigamente, era comum ouvir entre os educadores que não se podia dar o peixe aos alunos, mas sim ensiná-los a pescar. Hoje é comum escutar dos mesmos professores, tanto nos colégios públicos como nos particulares, que o necessário agora é dar “fome” aos alunos, pois o que eles demonstram cada vez mais é desinteresse, desmotivação, falta de perspectiva, ideais baixos, enorme imaturidade e uma vergonhosa irresponsabilidade.

Sou da opinião de que todas essas mudanças referidas acima podem estar relacionadas com políticas igualitaristas na área de educação, que de alguma maneira não só desfocam os fins da educação, como os deixam medíocres. Quais devem ser esses fins?

Em primeiríssimo lugar, a verdadeira educação deve ajudar cada aluno a desenvolver suas capacidades e habilidades ao máximo para alcançar uma maior plenitude pessoal. Para isso é preciso olhar cada aluno na sua singularidade. Em seguida, é preciso ir fomentando na criança, dentro dos limites éticos, uma verdadeira autonomia, que significa ir ganhando uma maior capacidade de usar corretamente sua liberdade, por meio das virtudes morais. Por fim, ela deverá descobrir que uma decorrência desse amadurecimento nas virtudes é a abertura aos demais, procurando desvelar a riqueza do espírito de serviço e da entrega aos demais, próprios da verdadeira amizade.

Além de fomentar essa diversidade intrínseca, a educação deve buscar também cada vez mais novas alternativas de organização escolar, pois isso é próprio do direito dos pais de escolher o que acreditam ser o melhor para os seus filhos.

Concluímos, portanto, que é preciso acordar para certos ares “dominadores” que pairam no ar da nossa educação atual. Se continuarmos a basear a educação em uns mínimos iguais para todos, infelizmente, teremos de continuar a condenar os jovens a uma vida medíocre, que evidentemente não é compatível com o bem e a felicidade.


Artigo publicado na Gazeta do Povo a 1º/8/2010

 
 
  No último sábado, dia 19, tivemos a apresentação dos projetos Elo de iniciação científica nas áreas de Economia (Filipe Bonfanti, orientado por André Medrado) e Medicina (Luiz Filipe, orientado por Henrique Cal).
 
 
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A formação do ser humano foi suplantada pela formação do “ter” e pelo mostrar que se tem. A felicidade ansiada foi também substituída pela depressão, vazio existencial e egoísmo solitário

É com tristeza que recebemos, cada vez com maior frequência, a notícia do encerramento de mais um colégio, dito tradicional, nas principais capitais do país. Nos últimos anos, várias instituições de ensino, sofrendo economicamente com a diminuição da demanda, são forçadas a fechar suas portas, quase sempre após uma longa agonia. Motivos para isso não faltam: perda da qualidade do ensino devido ao inevitável envelhecimento e saída de seus diretores, coordenadores e professores fundadores, em geral idealistas e de melhor qualidade; descuido na seleção e formação de novos professores; desorientação na missão da escola, deixando de lado o foco em seus princípios educacionais; visão distorcida por parte das famílias acerca do papel da escola; pressões materialistas destruindo os verdadeiros valores humanos; taxas de natalidade muito baixas; concorrência de outras instituições; e falta de atualização curricular, pedagógica e de avaliação.

Como educador, porém, confesso que sinto muito mais desgosto e autêntica indignação quando observo organizações educativas, muitas delas com “aura de santidade”, ser impregnadas por finalidades apenas mercantilistas ou ser envenenadas por ideologias que, comprovadamente, seduzem para o mal ou deformam as consciências. Mas quem tem a culpa dessas deformações: a escola ou as famílias?

A resposta mais correta me parece ser: nenhuma das duas, e sim o mau uso da liberdade individual de cada pessoa que constitui cada escola e cada família. O homem encontra algumas forças que o conduzem à plenitude do seu ser e outras que o desviam. O mesmo ocorre com os valores que encontra no ambiente em que vive. Muitas vezes, sentirá dúvidas sobre se determinada atitude o conduzirá a essa realização. Em outras, perceberá, através da própria frustração ou remorso, que errou. Em ambas as situações, portanto, deverá buscar honestamente a verdade em fontes seguras e sentir-se responsável por formar corretamente a própria consciência.

Na maioria das vezes, as pessoas mais velhas não são conscientes de que alimentam comportamentos éticos (ou antiéticos) dos mais novos. O modus vivendi de um pai, de um professor, de um chefe é o que formará ou deformará a consciência dos seus pupilos e subordinados. É por isso que a comunidade de indivíduos é co-responsável pela manutenção do seu ethos, pela sua queda ou pelo seu crescimento. Essa corresponsabilidade parte da moral do indivíduo, que influencia a da família, e em seguida a dos grupos sociais mais afastados: escola e local de trabalho, até alcançar a cultura como um todo. Se visualizarmos esse processo como uma dinâmica circular, deduziremos que pode ser um movimento circular ascendente – quando todos individualmente estão buscando honestamente a verdade, enriquecendo o ethos – como também descendente – quando todos, por ignorância ou por malícia, a desprezam.

Sou da opinião de que aquilo que provoca o “terremoto educacional” de nossas escolas é um autêntico movimento circular descendente do ethos em que vivemos. Se fizermos um rastreamento histórico, como já foi feito pelo filósofo MacIntyre em sua obra After Virtue (Depois da Virtude), detectaremos que em poucos momentos da história se chegou a tanta desordem moral. Segundo o autor, a sociedade, ao desprezar a busca pela verdade, acreditando que é impossível recorrer a razões objetivas para justificar princípios éticos universais, caiu no emotivismo, que é instituir o reinado do irracional, do material, do hedonismo. A educação tornou-se, consequentemente, um espaço não tanto para desenvolver as potencialidades racionais, volitivas e afetivas, que facilitem o pleno desenvolvimento do ser humano, mas um meio para galgar patamares sociais cada vez mais altos e lucrativos. Pressionados por essa mentira, numa verdadeira espiral para baixo, pais, professores e alunos começaram a buscar nos centros de ensino somente aquilo que lhes proporcionasse esses objetivos: apenas uma boa formação acadêmica, que lhes desse uma oportunidade de trabalho interessante para depois poder alcançar o máximo prazer possível com o mínimo esforço.

Obviamente, dentro dos próprios mecanismos de mercado, as escolas que possuíam a missão de formar integralmente a pessoa humana começaram a ser desprestigiadas. Por outro lado, as que começavam a dar bons “retornos econômicos” eram reconhecidas como as melhores. Os donos de escola, envolvidos e arrastados também nessa corrente circular cobiçosa, aos poucos foram esquecendo o papel do verdadeiro educador e se deixaram seduzir pelo negócio que dá mais dinheiro.

A pergunta que os leitores devem estar se fazendo é a seguinte: é possível transformar a escola num bom negócio, e ao mesmo tempo cumprir sua missão? A resposta dependerá, como dizíamos anteriormente, de cada cidadão sentir-se corresponsável pelo bem comum. Para isso, acredito que nós educadores, e todos os transformadores sociais que também influem muito diretamente no nível alto do ethos social, têm um papel dobrado de contribuir para que o movimento circular deixe de ser descendente e volte a ascender, pois somos nós que semeamos bondade, beleza, verdade e liberdade em todos os que nos escutam.




Artigo publicado por João Malheiro na Gazeta do Povo a 20/6/10.

 
 
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  A experiência com o FeedMingle foi um fiasco! Com poucas horas de uso, ele publicou automaticamente propagandas suas através das nossas mídias.
  Já contornamos a situação através do serviço Yahoo Pipes, que surte o mesmo efeito de mesclar o feed deste blog e do Posterous (veja como funciona).
  Agradeceríamos seus eventuais comentários.

 
 
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  A fim de concentrar as informações, tanto deste blog quanto do Posterous, utilizaremos — em fase de testes — o novo serviço http://feedmingle.com/, que mescla o RSS de ambos.
  Fique à vontade para tecer seus comentários!

 
 
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Acaba de sair o tema do UNIV 2011. Clique aqui.

 
 
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  Através da troca de experiências com profissionais de sucesso, os participantes do PERFORMANCE 2010 poderão decidir melhor a faculdade que cursarão.

  Esse conhecimento incentiva o estudo, diminui a tensão por ter de escolher um curso e abre novos horizontes.

  Por meio de tutoria personalizada o estudante receberá suporte individual para ter um plano de estudos e descobrir sua vocação profissional.

PROGRAMAÇÃO DOS ENCONTROS (terças e quintas, 18 a 19h30):
Ética, códigos e princípios (25/05) João Malheiro de Oliveira (UFRJ)
Medicina (27/05) Henrique Cal (UFRJ)
Marketing e Pesquisas de Opinião (01/06) Leonardo Barbosa (IBMEC-RJ)
Economia (03/06) André Medrado (BNDES)
Direito (08/06) Rafael Zelesco (UERJ)
Antropologia Cultural e Filosófica (10/06) Renato Moraes (USP)
Fundamentos da Motivação (10/08) João Malheiro de Oliveira (UFRJ)
Engenharia (12/08) Silvio Almeida (UFRJ)
Tecnologia da Informação (17/08) José Antônio Magalhães (Empresário da Web)
A Carreira Militar (19/08) Hermann Stroub (Escola Naval)
Liderança e Formação de Equipes Vencedoras (24/08) Rubens Migliaccio (FGV)
O Espírito da Universidade (26/08) Maurício D. Pérez (IBMEC-RJ)

Entre em contato para mais informação ou baixe o folheto aqui.

 
 
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Acredito que nós educadores devemos começar a tratar também da responsabilidade social das famílias, das escolas e dos meios de comunicação a fim de que todos eduquem na verdadeira liberdade humana

Tem crescido nos últimos tempos, principalmente no mundo empresarial, a preocupação com a responsabilidade social. Parece que finalmente a sociedade despertou para o fato de que a mãe natureza tem suas próprias leis e que suas reservas não são inesgotáveis. Conscientizou-se de que o poder humano, podendo conservá-la ou destruí-la, tem de ser limitado de forma racional, caso contrário viveremos sempre em eterna ameaça apocalíptica. Mas perguntemo-nos: será que há esta mesma percepção com relação ao ser humano? Será que já existe, não só nas empresas, mas em todas as estruturas sociais um entendimento de que é preciso redescobrir também as leis do próprio homem, para assim preservar a dignidade da pessoa humana e não a destruir?

Confesso que há dias – talvez por estar acostumado a acreditar no homem –, em que minha resposta à indagação é afirmativa, mas há outros em que, lastimavelmente, contemplando o noticiário, devo concluir que não. E também há dias em que me pergunto: mas para quê todos estão preocupados com a conservação da natureza, com o conforto humano e com a salvação do mundo se depois o vamos encher de “animais-humanos”, muitos deles atuando até de forma infra-animal? Não será isso uma ameaça muito mais perigosa?

Acredito que nós educadores devemos começar a tratar também da responsabilidade social das famílias, das escolas e dos meios de comunicação a fim de que todos eduquem na verdadeira liberdade humana.

Infelizmente, muitas correntes pedagógicas das últimas décadas, levadas mais por visões distorcidas e ideológicas do que por estudos sérios de antropologia, espalharam mentiras educacionais que desfiguraram a liberdade. Uma delas é que a criança constrói melhor seu conhecimento se o educador fomenta uma espontaneidade quase ilimitada no processo de aprendizagem. A afirmação “o importante é deixá-la ser autêntica e fazer o que gosta, pois assim obterá maior sucesso escolar” costuma ser a música sedutora. Outra postura mais sedutora ainda é cantar para os educadores que reprimir sentimentos, corrigir assertivamente, castigar razoavelmente, podar iniciativas desmedidas poderá provocar desequilíbrios psicológicos irreparáveis e afetar a aprendizagem e a autoestima da criança.

Para desmascarar essas mentiras, é preciso recordar os elementos básicos da verdadeira liberdade humana, que poderiam ser resumidos numa definição simples e fácil de memorizar: a liberdade humana é a capacidade de escolher bem, para uma finalidade boa, na prática.

Ser livre é uma capacidade, é um poder de escolher. Portanto, exigirá sempre muitos cuidados e principalmente o uso da racionalidade. Sendo um poder, a liberdade exige aquisição desse poder, de forma tanto racional quanto volitiva. Quando deixamos o aluno ser “autêntico”, isto é, espontâneo, o resultado poderá ser lindo e até proveitoso em algumas ocasiões, mas na maioria das vezes será irracional. A criança tem de aprender que a verdadeira liberdade é aprender a partitura da afetividade. Primeiro na teoria, com reflexão e aconselhamento, e depois pelo aprendizado prático das virtudes éticas.

Sabemos que ninguém se dispõe a aprender, de fato, uma partitura simplesmente por achar linda a teoria musical. Qualquer músico quer atingir o encantamento e o êxtase. Daqui podemos deduzir que não basta escolher bem, é preciso escolher para uma finalidade boa. Quando a criança é ensinada que liberdade é fazer o que se quer, é viver os próprios gostos, ela e quem lhe educa assim têm com certeza uma finalidade boa, que é ser feliz e, portanto, a proposta parece bastante sedutora. Passado o tempo, porém, em geral a criança começa a sentir-se fraca, percebendo que lhe faltam forças para levar adiante qualquer projeto. Sente dentro de si uma forte polarização grupal – aquilo que o grupo espera que ela faça – e tem de escolher coisas que nem lhe agradam tanto, porque lhe faltam argumentos convincentes para dizer “não”. Sofre ainda de solidão e depressão, porque a vida não é como ela imagina e as dificuldades a massacram. No final, a felicidade almejada acaba nunca sendo experimentada e os desequilíbrios afetivos que se queriam evitar acabam se tornando muitíssimo mais graves.

Buscar fazer o que se quer sem ser impedido pelos outros é um objetivo excelente, o qual todos devem desejar. Mas da forma correta, sem deixar-se enganar pela incorreta, ou seja, pelo mal. É preciso concluir que só a escolha de acordo com os princípios que regem a natureza humana é o que de fato liberta, apesar do esforço e sacrifício que acarreta viver os mesmos. Todo educador sabe que educar vem de ducère (guiar, conduzir) e de educère (extrair as capacidades de dentro). Porém, se a educação em geral continuar enveredando por caminhos de libertinagem, talvez possamos assemelhá-la antes a seducère (seduzir), pois o prefixo “se” indica afastamento, separação, e é isto o que acaba fazendo a má educação privando o jovem a seguir vocação natural ao amor e à liberdade compartilhada.


Artigo publicado por João Malheiro na Gazeta do Povo em 2/5/10.