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Centro Cultural e Universitário de Botafogo

Análise crítica da história bíblica

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  A interpretação ou o estudo da realidade histórica latente é o que se denomina “filosofia da história”. Na concepção judaica, e depois na cristã, a história é, necessariamente, “História da Salvação”, pelo que é possível desenvolver daí uma “teologia da história”. Todos os fatos que se sucedem apontam para a graça, a vontade salvífica de Deus e a eternidade. O ponto nevrálgico de uma teologia da história é definir a natureza da continuidade entre a construção do temporal e a realização do eterno, ou seja, qual seria a continuidade que há entre este mundo decaído e o restaurado?
  As Teologias da história clássicas projetaram especulativamente o prévio conceito de Providência à história. Bossuet introduziu um princípio de secularização ao querer extrair das Sagradas Escrituras e da Cidade de Deus o sentido da sucessão dos impérios perceptível para o historiador (cf. DILTHEY, Einleitung in die Geisteswissensohaften).
  Hoje, pelo contrário, se procura empiricamente nos fatos históricos o sentido com que a Providência operou neles, porque toda visão global da história não é mais que a fé do historiador iluminando a sua historiografia para desentranhar‑lhe um sentido. Com efeito, para interpretar corretamente a história é necessário ler, corrigir e explicar:

  • Ler é ressaltar a estraneidade entre o passado e o historiador, estabelecer interfaces que respeitem os paradigmas do passado.
  • Corrigir é reconhecer a copertença ao passado pela tradição, o que permite entrever a unidade diacrônica da Comunhão dos Santos.
  • Explicar é permitir a osmose, a “fusão de horizontes” com o passado, o que forma os fiéis para a atuação, sem arroubos de apologética, dando‑lhes uma luminosa compreensão do presente e força para o futuro.
  De qualquer forma, tanto o clássico inquirir especulativo do sentido global do tempo quanto a moderna pesquisa empírica do sentido dos acontecimentos singulares só podem objetivar a duas finalidades:

  1. antecipar o futuro, pela clarificação do sentido dos fatos: caminho seguido a partir do medievo e que redundou na crise do Historicismo, na esterilidade intelectual moderna e na cristalização de grupos pensadores ditos integristas e progressistas;
  2. situar o cristão ante seu tempo e as diversas situações que se lhe depare no acontecer, de modo a assumir a todo instante a atitude consoante a sua vocação e missão divinas: nessa linha, autores cristãos como, entre outros, K. Löwith, H. I. Marrou, X. de Zubiri, R. de Niebuhr, T. Moretti‑Costanzi, P. Ricœur e H. Butterfield confluíram no fundo no perfilamento das características epistemológicas de uma teologia da história.



As aulas serão às quintas-feiras, 17h

1. Protologia bíblica (Gn 1—11), 6/8
Criação, angelologia, pecado original, tempo das nações

2. As gestas patriarcais (Gn 12—50), 13/8
Ocaso da civilização suméria, vagas semitas, chamada divina

3. Moisés (Ex; Lv; Nm), 20/8
Êxodo do Egito, doação da Lei, instituição do culto 

4. A conquista (Dt; Js; Jz 1—12), 27/8
Transjordânia, Josué, primeiros juízes

5. O jugo filisteu (Jz 13—21; Rt; 1Sm), 3/9
Idade do Ferro, Sansão, o pecado de Gabaá, Saul, Davi, menestrel e general

6. A casa de Davi (2Sm; 1Rs 1–12), 10/9
Templo de Jerusalém, sabedoria, cisma político

7. Os filhos dos profetas (1Rs 13–22; 2Rs; Tb), 17/9
Elias e Israel, a deportação assíria, os samaritanos, Tobias

8. Exílio: a sombra da Cruz (Jr; Br; Ez), 24/9
A paixão de Jeremias, queda de Jerusalém, Ezequiel e a glória de Deus

9. O Retorno (Esd; Ne; Est; Dn; Jt; 1-2Mc), 1º/10
O resto de Israel, Ester e Daniel, Judite, os Macabeus

10. A nova e eterna Aliança (NT), 8/10
Nosso Senhor Jesus Cristo, nascimento da Igreja, o Apocalipse

© 2008-2012 Centro Cultural e Universitário de Botafogo

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