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                                      Centro Cultural e Universitário de Botafogo

                                      Projeto Mury Solidário 06/02/2011
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                                      Em janeiro de 2011, vários municípios da Região Serrana do Rio de Janeiro foram atingidos pela maior catástrofe natural que já houve no país. Foram 916 mortes e há 180 pessoas desaparecidas. O numero de pessoas que perderam suas casas ou bens materiais supera vários milhares.

                                      Vendo esta situação, alguns professores universitários, empresários e estudantes se reuniram para realizar o Projeto Mury Solidário.

                                      Visite o site do Projeto Mury Solidário. 

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                                      Discriminar nunca, tolerar se possível! 05/23/2011
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                                      Não discriminar não significa ter de tolerar as mesmas ideias, gostos, sentimentos, opções sexuais, ideais políticos ou religiosos. Posso e devo discordar se penso diferente. Isso é democracia, isso é pluralismo

                                      Como educador e professor de ética, tenho me preocupado cada vez mais com o ensino/aprendizagem de certos conceitos que, quando não assimilados de forma correta, podem confundir os mais superficiais. São as noções de tolerância, discriminação, verdade e opinião.

                                      Na universidade me deparo com frequência, pela temática que ensino, com o enfrentamento em sala de aula. Uma vez ou outra explodem paixões juvenis, outras vezes escuto de forma indignada frases como: “O senhor está sendo muito intolerante com as suas opiniões”, “O professor está discriminando uma parcela da faculdade com as suas verdades”, ou reações parecidas. Confesso que necessito de grande dose de autodomínio e de inteligência emocional para compreender meus pupilos e, em paralelo, manter um diálogo respeitoso, vivenciando esses próprios conceitos. Acredito, portanto, que possa ser útil promover a reflexão sobre os temas acima elencados, para não sermos conduzidos a engodos midiáticos ou para nos prepararmos para futuros debates em diversos âmbitos educativos.

                                      O sentido de tolerância que adoto é do filósofo Tomás de Aquino, que criou o conceito no século 13: “Tolerar é permitir a existência de certos males menores para não provocar outros males maiores e para não impedir certos bens maiores”. Tolerar é permitir de forma bastante justificada certos males menores, não autorizá-los. Existe uma diferença notável entre permitir e autorizar. Esse último é dar autoridade a alguém para que faça algo. No nosso caso, seria autorizar o mal e converter, por um poder arbitrário e pela “magia” da tolerância, o mal em bem. O autorizador, assim, tornar-se-ia corresponsável pelo mal. O que não seria ético. É preciso ser consciente de que, quando se é tolerante, o mal continua sendo mal na perspectiva de quem permite. E que, mesmo sendo tolerante alguma vez, nem sempre será possível tolerá-lo. Nesses casos é preciso ser intransigente com o erro e o mal, o que não é intolerância. Ora, numa sociedade em que a confiança na razão como meio para descobrir a verdade foi aos poucos dando lugar ao ceticismo, é fácil compreender por que as pessoas se confundem entre o bem e o mal.

                                      No momento em que a força da razão é enfraquecida, e que o julgamento ético vira uma questão de sentimentos e preferências pessoais – fenômeno chamado pelo filósofo MacIntyre de emotivismo, em After Virtue – são compreensíveis as reações explosivas de algumas pessoas quando alguém lhes tenta mostrar, de forma racional, as diferenças entre o bem e o mal, como aconteceu entre mim e meus alunos. Eles se sentem como sendo invadidos por uma autoridade despótica, que se intromete em sua liberdade pessoal, ou pelo menos a cerceia. A sensação de desrespeito é real, pois falta a participação da razão e da vontade para moderar e direcionar esses “sequestros” emocionais para a reflexão. Os conceitos de intransigência e discriminação acabam se confundindo, o que é um grande erro.

                                      Ser intransigente é defender a verdade que nos transcende. Significa manifestar o direito de discordar de alguém que apresente outra coisa como verdade, e, num diálogo respeitoso, expor uma argumentação diferente, com fundamentos sólidos e convincentes, de forma que ambos tentem honestamente vislumbrar um bem que os una. Portanto, uma atitude bastante distante da violência e da arrogância. Já ser discriminador é algo bastante diferente. Significa dar um tratamento desigual, seja favorável ou desfavorável, às pessoas em função das suas características raciais, sociais, religiosas ou de gênero. É um desrespeito à pessoa humana, quase sempre numa atitude física ou psicologicamente violenta. Naturalmente, é algo deplorável, que sempre será preciso combater. Entretanto, não existe discriminação de ideias nem de atitudes, somente de pessoas. Caso contrário, nenhum educador jamais poderia atuar em relação a seus educandos, corrigindo-os, moderando-os ou até castigando-os. Infelizmente, é exatamente essa mentalidade (corrigir como discriminar) que aos poucos vai entrando em nossas escolas, com consequências incalculáveis.

                                      Como aponta a doutora em Filosofia Ana Marta González, “o respeito se dirige ao homem que eventualmente defende ideias opostas às nossas; a tolerância, às suas ideias” (“Las paradojas de la tolerância”). Portanto, não discriminar não significa ter de tolerar as mesmas ideias, gostos, sentimentos, opções sexuais, ideais políticos ou religiosos. Posso e devo discordar se penso diferente. Isso é democracia, isso é pluralismo.

                                      E como conviverão em paz pessoas que pensam diferente? Como viver a tolerância, em casos como a eutanásia infantil, o nudismo, o livre exercício de religiões minoritárias? A resposta é complexa, mas a filósofa espanhola nos orienta: eticamente, com respeito. Politicamente, com três critérios: buscar a solução em que a maioria possa se abster; em que o prejuízo que se vá produzir nos outros seja o menor possível; em que a subsistência da sociedade esteja sempre garantida.

                                      Artigo publicado por João Malheiro na Gazeta do Povo a 22/5/2011

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                                      Grupo de estudos de humanidades 05/18/2011
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                                      “Com Os Irmãos Karamázov, Dostoiévski recuperou totalmente sua força artística e reafirmou sua maestria reprimida n’O Adolescente. De fato, essa obra se destaca até mesmo de suas obras-primas anteriores e consegue rematar uma expressão clássica do grande tema que o estava preocupando desde Memórias do Subsolo: o conflito entre a razão e a fé cristã. Nunca antes Dostoiévski tinha expressado esse conflito com tamanha força poética, tamanha exaltação simbólica e com uma descrição tão ampla dos tipos sociais russos e da vida na Rússia. Nenhuma obra anterior dá ao leitor tão enorme impressão de grandeza controlada e medida, uma grandeza que provoca, espontaneamente,  uma comparação com as maiores criações da literatura ocidental. A Divina Comédia, Paraíso Perdido, Rei Lear, Fausto – são os títulos que naturalmente acorrem à mente quando se tenta mediar a estatura d’ Os Irmãos Karamázov. É que essas obras também se empenham na discussão interminável e nunca acabada que as ‘questões malditas’ do destino do gênero humano sempre despertam” 
                                      Joseph Frank

                                      O Grupo de Humanidades do Centro Cultural e Universitário de Botafogo promoverá o estudo e o debate da obra máxima do escritor russo Fiódor Dostoiévski, Os Irmãos Karamázov, em reuniões aos sábados de manhã, das 9h30 às 12h, a partir de agosto. Serão examinados os aspectos estilísticos, narrativos, filosóficos, psicológicos e teológicos do romance.

                                      É oportuno que os participantes leiam antes os trechos que serão examinados, ainda que não seja imprescindível para o aproveitamento das reuniões.

                                      Informações com João Carlos Nara.

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                                      A arte de um professor 05/01/2011
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                                      Se o verdadeiro artista é sempre um bom educador, podemos afirmar também que um bom educador é sempre um artista

                                      É comum encontrar na literatura e no cinema a magia de alguns artistas que conseguem transformar uma pequena ou grande comunidade. Pode tratar-se de um pintor, um músico, um escritor ou um ator que, com a riqueza de sua interioridade, provoca autênticas conversões existenciais. Recentemente, assistindo a um filme dos anos 80 – A Festa de Babette – redescobri a enorme força que pode ter um coração apaixonado. O filme trata de uma cozinheira de um dos mais requintados restaurantes de Paris, que é forçada a refugiar-se num país vizinho devido a uma guerra civil. Ela se emprega como faxineira e cozinheira na casa de duas solteironas, filhas de um rigoroso pastor do século 19. Ali ela vive por 14 anos, até que, um dia, fica sabendo que ganhou uma fortuna na loteria. Ao invés de voltar à França e refazer a vida, ela pede permissão para preparar um autêntico banquete em comemoração ao centésimo aniversário do pastor, já falecido. No fundo, ela quer retribuir todos esses anos de acolhimento preparando algo que só a riqueza de seus dotes artísticos podia fazer. No final, sua generosidade a impulsiona a gastar todo o dinheiro. A felicidade de poder novamente demonstrar seus talentos a serviço do próximo conseguem recuperar não só seu sentido na vida, mas também a fraternidade daquela comunidade familiar que há muito tinha desaparecido.

                                      Acredito que Babette consegue definir bem o que deve ser um verdadeiro artista: alguém que transmita uma interioridade rica através do talento que desenvolveu no campo artístico. Alguém que transmita amor quando atua bem naquilo que faz. Aristóteles já definia a arte como a reta razão do fazer. A capacidade de refletir uma série de valores em tudo o que se produz, os quais elevam os que estão ao seu redor a níveis melhores. Seu predecessor Platão já definia a beleza artística como a expressão da bondade. Ela proporciona ao homem um choque saudável, retirando-o de si próprio. Ela abre o seu coração e a sua mente e lhe dá asas, levando-o para cima.

                                      Transportando esses conceitos para a educação, se o verdadeiro artista é sempre um bom educador, podemos afirmar também que um bom educador é sempre um artista. Quando ele realmente sabe e ama aquilo que faz, quando extravasa com vibração todo o seu conhecimento dentro de uma sala de aula e procura com todos os seus dotes artísticos e didáticos fazer-se entender e entender seus alunos, consegue em geral produzir várias autênticas “obras primas”.

                                      Por experiência própria, sei que não é fácil, nas condições atuais, querer ser um artista educacional. As coisas efetivamente não estão fáceis em tantas comunidades escolares, principalmente nas mais desfavorecidas. As baixas possibilidades financeiras, o pouco reconhecimento social, as mínimas perspectivas futuras, riscos de todos os tipos parecem nos puxar para baixo para fazer-nos desistir. Por isso, arriscaria dizer que, nos dias que correm, para ser um bom professor é necessário ser um super artista. Ser alguém com talento e capacidade de superação muito acima da média. Para isso, é imprescindível alimentar-se de mais interioridade, que nasce quando investimos tempo em leituras substanciosas, reflexões profundas e pausadas, debates descontraídos com pessoas de valor, meditação diária e esforço por sermos melhor.

                                      Um exemplo disto também pode ser visto num filme intitulado Escritores da liberdade. Tal filme se inicia com uma jovem professora inexperiente que começa a trabalhar em uma escola de ensino médio para uma turma de adolescentes considerados problemáticos. Ao perceber os grandes conflitos enfrentados pelos estudantes, a professora usa todo o seu poder criativo e adota novos métodos de ensino. Entrega aos seus alunos uns cadernos-diário para que escrevam sobre aspectos de suas próprias vidas, desde conflitos internos até problemas familiares. Indica a leitura de diferentes obras ricas em interioridade com o objetivo de que os alunos percebam a necessidade de tolerância mútua. No final, consegue que todos se tratem com respeito e tolerância e seus diários acabam sendo juntados em um livro.

                                      Sei que existem muitos professores que tentam fazer coisas semelhantes. Uns têm mais sucesso do que outros. Mas acredito que o importante é estar sempre tentando fazer desabrochar esse artista que vive dentro de cada educador.

                                      Artigo publicado por João Malheiro na Gazeta do Povo a 1º/5/2011

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                                      Bento XVI acolhe os participantes do UNIV 04/30/2011
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                                      Páscoa solidária 04/12/2011
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                                      O Centro Cultural e Universitário de Botafogo está organizando uma festa de Páscoa para as crianças do morro Santa Marta. Ela ocorrerá no próximo dia 30 de abril, sábado, às 14h.

                                      E para animar a criançada – cerca de 50 – faremos uma grande distribuição de ovos de Páscoa. Precisamos de colaborações da rapaziada para comprar os ovos e os outros ingredientes da festa (doces, refrigerantes, etc.).

                                      Contamos com sua ajuda para levar uma alegria às crianças desse morro!

                                      Maiores informações com Christian Marra.

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                                      Jornada da Juventude 2011 03/30/2011
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                                      Informações importantes acerca da nossa participação na JMJ 2011:

                                      1. É o ideal pagar as inscrições até o dia 31/03.

                                      2. O custo da semana é de apenas 163 euros (!!!), incluindo alojamento no colégio de bom nível chamado ANDEL, refeições e transporte público, que será gratuito.

                                      3. Quem quiser, poderá fazer o plano B de ficar mais quatro dias na Espanha para conhecer a Universidade de Navarra, Torreciudad, e outros pontos turísticos. No caso, terá que pagar um acréscimo de 200 euros.
                                      4. A passagem de avião estima-se por volta de R$ 2.500,00.

                                      5. A inscrição consiste em depositar R$ 500,00 (entrada da passagem) + R$ 425,00 da JMJ (plano A) na conta corrente:

                                          Nome: Roberto Abia Fernández
                                          Banco: Itaú
                                          Ag: 8612
                                          Conta: 11507-4


                                      6. Enviar um e-mail para abiaroberto@gmail.com com o comprovante de depósito e as seguintes informações:


                                           Nome completo
                                           Data de nascimento
                                           Plano de viagem A (só Madri) ou B (Madri, Saragoça, Torreciudad, Pamplona, Burgos)
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                                      Première de There Be Dragons na Espanha 03/27/2011
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                                      Ensino da catequese: formação cristã, generosidade e liderança 03/26/2011
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                                      Durante nossos anos no colégio, pode ter sido comum ouvir o mesmo chavão sempre que um novo professor se apresentava em sala de aula: “Eu sou professor, mas também aprendo com vocês.” Seja isto verdade ou não (na maioria de minhas aulas, acho que o professor só conseguia aprender novas formas de dar bronca), o fato é que a frase transmite uma visão da aula ideal, na qual o professor efetivamente dialoga com os alunos e também vai se formando, amadurecendo e crescendo.

                                      Felizmente, meus cinco anos de experiência como catequista realizaram plenamente este desejo geral do professor. Preparar as crianças para sua primeira comunhão se mostrou uma maneira muito especial de praticar minha fé. Na verdade, acredito que tal oportunidade faria bem a muitas pessoas, especialmente os jovens, e inclusive aqueles que acreditam não possuir tanto conhecimento doutrinário assim para ensinar (estes costumam ser os mais sinceros, o que já é uma ótima qualidade num professor). Pensei em quatro razões para isso:

                                      Em primeiro lugar, o trabalho do catequista faz com que ele passe a colocar em prática sua fé. Há um grande risco hoje de acreditarmos que a religião é algo puramente teórico, que preciso “conhecer” tanto quanto conheço uma matéria na faculdade ou a altura do Everest. Ou de relegarmos Deus a um plano secundário em nossa vida, recorrendo a Ele somente quando surgem as grandes dificuldades ou quando estamos a fim. Na catequese, precisamos explicar a alunos — que muitas vezes nos aparecem “zerados”, sem nenhum conhecimento sobre sua fé – as verdades e a moral básicas do Cristianismo. Isso acaba sendo um grande incentivo a que nós mesmos as vivamos. Quando ensinamos o sinal da cruz e recomendamos que o façam com frequência, nossa consciência nos dirá: “e você mesmo, faz o sinal da cruz ao levantar-se?” Quando vamos guiando nossos alunos delicadamente no caminho da oração, pode ficar claro, em nosso íntimo, que nós mesmos poderíamos rezar mais, inclusive por estas próprias crianças. Quando explicamos alguma parábola, percebemos na hora que ela também se aplica a nós.

                                      Em segundo lugar, a catequese nos ajuda a viver a simplicidade, tanto em coisas materiais quanto em nossa cabeça. Os pontos básicos da doutrina cristã devem ser apresentados às crianças de modo simples, sem interpretações refinadas ou discussões supérfluas. Queremos que os alunos passem a amar Cristo, e isso para eles não é uma coisa difícil de compreender, nem requer grandes teorias. O bom catequista, portanto, vai adquirindo não só uma boa aptidão para comunicação e didática, como também uma capacidade de entender e expor sua fé de modo muito prático e ao mesmo tempo simples. Quando precisamos explicar o mistério da Santíssima Trindade para cabecinhas de sete anos, por exemplo, é preciso fazê-lo de um modo que mostre a coerência do dogma com o amor que Deus sente por nós, sem de modo algum tentar esgotar o mistério, nem tampouco procurar tirar seu caráter de mistério. A impressão que dá é que as perguntas das crianças vão “limando” nossos pensamentos, que sempre tendem a tornar tudo mais complicado. Na catequese, aprendemos a não complicar a fé, a não inventar o que já está previsto, a não substituirmos Deus pela nossa cabeça.

                                      E o terceiro ponto que o professor aprende na catequese são as qualidades de liderança e empreendedorismo. O trabalho do catequista é voluntário, mas a atenção das crianças também é. É preciso saber cativar os alunos, descobrir como chamar-lhes a atenção e como conduzi-los à descoberta de um grande tesouro. Para tudo isso, o catequista necessariamente desenvolverá algumas das qualidades que definem um líder, pois ele será o guia (muitas vezes, sem o apoio dos pais) de suas crianças. Se a catequese é semanal, ele começará a se preocupar também durante a semana com a qualidade das aulas, a imaginar jogos que fariam sucesso entre os alunos, a encontrar cinco minutos de tempo livre para procurar uma imagem bonita que possa levar à aula... Na aula, ele se esforçará por acompanhar cada aluno, em saber como são suas famílias, em mapear seus defeitos, em medir seus progressos... E, por fim, perceberá que reza por seus alunos com a mesma intensidade com que costuma rezar por sua própria família. Tudo isto ajuda o catequista – muitas vezes um estudante de ensino médio ou da universidade – a entender que um bom líder, seja na turminha da catequese ou numa empresa, é aquele que melhor conhece seus liderados. Ele aprenderá, na prática, a conhecer de verdade o outro.

                                      Por fim, termino destacando o quarto benefício que a aula da catequese produz no catequista: ele cresce em generosidade. Quando gastamos um tempo nosso com algo que não nos traz um benefício imediato, nossa capacidade de amar aumenta. Aquelas três horas semanais podem pesar num horário de estudo apertado, mas podem contribuir mais para o amadurecimento do catequista do que se passadas diante de um livro. O esforço do catequista por vezes não é apreciado: os amigos não o entendem, os pais dos alunos não se importam, os próprios alunos são bagunceiros e desrespeitosos. Por isso, tentei demonstrar nestes parágrafos como o professor pode ser o maior beneficiário das aulas, independentemente do quanto seja admirado (claro que é melhor quando nos valorizam, mas não é isto o que torna nossa aula boa).

                                      A catequese é uma forma concreta de ser generoso. Fala-se muito em mudar o mundo, na injustiça do sistema, na maldade do homem, etc. O catequista tem a felicidade de saber que contribui efetivamente para mudar o mundo, despertando seus alunos para o amor de Deus, fazendo crescer neles as boas virtudes e dando-lhes o bom exemplo de vida cristã. Como não se trata de coisas materiais, parece ser bem pouco. Mas a catequese constitui um apoio inestimável para muitas e muitas crianças, por vezes até sua única fonte de educação moral e religiosa. Quantas dificuldades da vida não poderão ser vencidas com o apoio indestrutível da fé?


                                      Rafael Barretto

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                                      O medo de educar nas virtudes 03/14/2011
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                                      Educar os jovens nas virtudes que direcionam a afetividade para os outros exige muita paciência dos educadores, além do próprio exemplo, que nem sempre é “exemplar”.

                                      Num recente congresso de educação, após expor o tema “o papel das virtudes éticas na motivação escolar da criança”, recebi uma pergunta, em tom meio desafiador, de uma professora, sem dúvida bem-intencionada: “Quer dizer então que você quer voltar a ‘vestir’ nossas crianças com uma ‘camisa de força’ ensinando-lhes a prática das virtudes?” Com muito respeito e compreensão, respondi com serenidade à provocação, enquanto pensava para comigo: “Aqui está a expressão do medo atual dos pais, professores e educadores de ensinar as virtudes morais na família e na escola”.

                                      No imaginário coletivo de muitos responsáveis pela educação, o conceito de virtude está associado a traumas, repressão, perda da liberdade e da autenticidade, tristeza, formatação e muitos outros sentimentos que a mistura da psicologia com filosofias modernistas se encarregaram de introduzir em nossa cultura. Por outro lado, nós, educadores atuantes, percebemos, a partir da perspectiva histórica que os anos dão, que ter deixado nossas crianças vestir a “camisa de força das próprias paixões irracionais”, que é o que acontece na prática quando não se educa nas virtudes, foi muito pior e escravizante. Os alunos estão em geral completamente desmotivados, falta-lhes capacidade de vislumbrar ideais mais valiosos, sofrem de desamor e solidão de forma precoce e por isso desrespeitam os demais. Estão imaturos para a idade, não sabem o que fazer com a afetividade desgovernada.

                                      Diante desse contraste, é natural que muitos pais e professores se sintam confusos e inseguros. Por isso acredito que seja conveniente aprofundar em algumas ideias que esclareçam cientificamente como formar adequadamente a juventude de hoje.

                                      A primeira é a seguinte: quem não foi educado nos bons hábitos de escolha (conceito de virtude) só terá uma liberdade aparente. Nossos vícios de preguiça, vaidade, egoísmo nos impedem de ver as coisas como realmente são e fazem com que certos aspectos nos pareçam tão atrativos que prevaleçam sobre outros de maior valor objetivo. Nossa sensação é de que atuamos com liberdade porque conservamos o controle de nossos atos, quando na realidade essa escolha procede de um defeito da liberdade, da incapacidade de ver as coisas em seu valor verdadeiro. Para ser autenticamente livre, o querer da nossa vontade deve proceder de um juízo correto sobre a realidade e se esforçar para que não seja desfigurado pelas próprias paixões.

                                      Para que as escolhas sejam boas, é necessário um critério bem formado e interiorizado. Não basta escolher de forma automática, sem reflexão e de modo involuntário. E é importante recordar a todos os educadores que ninguém pode intervir nas escolhas de seus pupilos. São suas próprias decisões que os formam realmente. E não as escolhas dos outros, por mais que sejam boas – a não ser que os jovens, por um ato livre, as assumam depois. Naturalmente, são importantíssimas as presenças do pai e do professor para informar, iluminar, sugerir, fazer pensar. Mas formar realmente só será possível quando o educando repetir inúmeras vezes na prática o que se aconselha, depois de ter captado racionalmente que vale a pena. Portanto, o verdadeiro aprendizado das virtudes está muito longe da imposição ou da coação. Está próximo de incentivar o próprio esforço.

                                      E quais as virtudes que devem ser ensinadas prioritariamente? Segundo alguns educadores, até os 7 anos de idade, a virtude da temperança deve ocupar um espaço privilegiado. É a virtude que aperfeiçoa e regula a tendência para o prazer desmedido. Limites na comida, conforto, diversão, na desordem material e temporal, entre outros, são alguns campos de luta. Depois dos 7 anos, outra virtude deverá ser incentivada: a fortaleza. É incentivar a capacidade de esforço e de sacrifício. Tudo o que seja incentivar o estudo mais ordenado, pequenos serviços na própria família, a busca por novas amizades, investimentos culturais mais exigentes, entre outros, são práticas comprovadamente salutares.

                                      Educar os jovens nas virtudes que direcionam a afetividade para os outros (a temperança e a fortaleza) exige muita paciência dos educadores, além do próprio exemplo, que nem sempre é “exemplar”. Por fim, a ilusão de viver uma vida cheia de instantes de prazer parece à primeira vista mais feliz do que a vida prazerosa da virtude.

                                      Texto publicado por João Malheiro na Gazeta do Povo a 13/3/11.

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                                                            • JMJ Rio2013
                                                            • UNIV
                                                              • Convivência de Páscoa em Roma
                                                              • Atividades
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