Nós e as crianças 11/22/2010
![]() A edição deste domingo (21/11/10) do Frankfurter Allgemeine Zeitung, um dos maiores jornais da Alemanha, traz um artigo de subtítulo sugestivo: “A Alemanha está morrendo”. Chamado “Nós e as crianças”, o texto trata da queda ininterrupta da natalidade no país europeu, um fenômeno que já preocupa aquele governo há vários anos. Em 2009, nasceram 665.112 bebês, 17.402 a menos do que em 2008. Para entender bem o problema, é preciso ter em mente que o governo alemão sempre estimulou os pais a criarem muitos filhos, com diversas medidas econômicas, desde a obrigatoriedade de generosas licenças para gestantes e pais (pai e mãe) nos primeiros meses de vida dos filhos até um subsídio pago pelo Estado a cada filho nascido. Mesmo assim, a população segue diminuindo e envelhecendo. O que me pareceu diferente no artigo é a refutação que o autor Jan Grossarth faz dos vários chavões que buscam explicar a falta de pequenos alemães. Em primeiro lugar, o artigo ataca a tese materialista de que desejar ter filhos depende da capacidade econômica de criá-los. Ao contrário, fica demonstrado que, desde os anos 1970, quanto maior a renda familiar, menor o número de filhos por casal. O único e magro aumento é registrado entre os muito ricos, que compõem uma parcela pequena da população. Portanto — conclui o autor — querer ter filhos não é uma questão de nível e possibilidades econômicas. Talvez as políticas do governo, que promovem a criação dos filhos com incentivos materiais, não estejam atingindo o cerne do problema. Outro ponto que merece atenção de Grossarth é o argumento de muitos jovens, que não querem ter filhos para não prejudicar sua liberdade. O articulista pergunta ironicamente até que idade esta “liberdade” ainda deve valer. Ele destaca a oposição entre o desejo da maioria dos alemães, de terem um filho “com certeza”, e a ânsia por desfrutar da “liberdade” como se os 18 anos durassem para sempre. Também a ideia pessimista de evitar filhos para “não colocá-los neste mundo” cruel é examinada pelo autor. Ele indaga, de modo divertido, se o mundo acaso melhorará se estes casais “pensativos” morrerem sem deixar descendentes. Embora o autor não chegue a conclusões específicas, algumas ideias me vieram à cabeça ao ler seu artigo. A solução da charada da diminuição da taxa de fertilidade pode estar nas modernas possibilidades de planejamento familiar. Atualmente, pode-se controlar, com um grau razoável de acerto, a vinda ou não de uma criança. Para isso estão os preservativos, os métodos anticoncepcionais, a fecundação in vitro, etc. Passando por alto as questões morais envolvidas neste “planejamento”, o fato é que, se os filhos são “feitos sob encomenda”, a atitude “racional” a tomar antes de ter um filho é pesar os “prós” e os “contras”. É aí que está o ponto-chave. Parece que filhos não podem ser tão planejados como a compra de uma casa ou um carro novo. Afinal, eles são muito mais imprevisíveis e seu impacto é muito mais profundo do que de qualquer aquisição. No entanto, o homem “racional” não gosta que nada fuja de seu controle: ele quer ter o poder de decidir absolutamente quando “fará” um filho. Agindo assim, ele (ou ela) quase sempre verá uma criança como um elemento de desordem em seu mundinho organizado. Portanto, não quererá ter a criança. E, quanto mais rico for, mais cuidados tomará na gestão de seu patrimônio – logo, fugirá de um bebê consumidor de fraldas, pediatras e tempo. Se os filhos fossem um componente necessário, porém inesperado, do casamento, como sempre o foram, suas “desvantagens” não seriam tão pensadas, repetidas e exageradas. Provavelmente os países europeus não estariam passando pela catástrofe demográfica que enfrentam — e que já dá as caras no Brasil, para alegria de muitos “especialistas” que confundem baixa fertilidade com desenvolvimento. Por fim, o artigo traz um dado interessante: 60% dos homens alemães sem filhos não veem como tê-los pode mudar positivamente suas vidas. Já 70% dos homens alemães com filhos dizem que… tê-los mudou positivamente suas vidas!!! A conclusão é óbvia: os homens (mas também as mulheres, imagino) não tem a menor ideia do que significa ter filhos. Parece que, de tanto planificar nossa vida, acabamos correndo o grave risco de nos frustrar, num casamento vazio ou numa velhice solitária. Como o autor conclui: “Talvez nossa sociedade de produção tenha perdido a sensibilidade para a alegria que pode haver em observar a curiosidade com a qual uma criança descobre o mundo, quando está construindo castelos na caixa de areia, quando sonha com o mundo ou quando chora, porque está tão triste com o mundo como nós, cínicos, não podemos mais estar”. This is your new blog post. Click here and start typing, or drag in elements from the top bar. Add Comment Da Terra às galáxias 08/13/2009
![]() Andrés Piatti é astrônomo argentino e está no Rio de Janeiro para a XXVII Assembleia Geral da União Astronômica Internacional (IAU). Aproveitou para dar uma passada por Botafogo e deu uma espetacular palestra descrevendo o universo, da Terra até às galáxias mais distantes. ![]() UNIV 2010 04/22/2009
Rafael Barretto retornou de Roma cheio de história para contar da Convivência de Páscoa e do Congresso Universitário UNIV 2009. Não deixe de assistir à tertúlia com toneladas de fotos. Costa Rican Investment Promotion Agency 12/05/2008
![]() Esteban Chaverri, nosso querido advogado costarriquenho, mostrou-nos o impressionante trabalho da Costa Rican Investment Promotion Agency. Nada como boa estratégia e gestão competente para fazer um país crescer. Veja mais vídeos da Costa Rica em nosso tubo. Costa Rica, a "Suíça da América Central" 12/02/2008
![]() Na próxima quinta, dia 4, às 20h30, Esteban Chaverri contará tudo sobre esse país especial, que tem uma história belíssima, além de belas paisagens. |










